Infância e Adolescência
Guilherme Arantes nasceu no dia 28 de julho de 1953, em São Paulo. Criado no bairro de Santo Amaro, zona sul da capital paulista, Guilherme passou boa parte da infância e da adolescência dividindo seu tempo entre as aulas de piano e a escola, porém era considerado disperso e indisciplinado. Apesar disso, possuía um talento nato para o piano, sendo capaz de tirar peças “de ouvido”, ao invés de aprender e decorar as partituras, conforme as instruções teóricas de seus professores.
Foi na adolescência que formou seu primeiro conjunto com os amigos de escola. O Polissoante realizou apenas alguns ensaios e apresentações no Tênis Clube e no Círculo Militar, em São Paulo. Nessa mesma época, começou a tocar na banda de Jorge Mautner e passou a trabalhar criando jingles de publicidade na Pauta, na Sonotec e depois, na Vice-Versa, dos amigos Luís Arruda Botelho, Sá e Guarabyra.
Moto Perpétuo
Ao se formar no colégio, entrou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, onde conheceu o violonista Claudio Lucci, com quem formou a banda Moto Perpétuo, ao lado de Diógenes, velho amigo e exímio baterista. O grupo misturava o rock progressivo com a MPB, muito influenciados pelo Clube da Esquina.
O primeiro disco da banda foi gravado em um estúdio simples, com produção de Pena Smith. Pouco depois, Gerson Tatini (baixo) e Egydio Conde (guitarra) passaram a integrar o grupo e começaram a ensaiar em uma casa no bairro do Brás. A banda chegou a se apresentar em Iacanga, festival de Águas Claras, mas o grupo não foi bem recebido pelo público, que pedia por bandas que tocassem rock.
Carreira Solo
O grupo não durou muito tempo e, no final de 1975, Guilherme foi procurar a Som Livre, na Rua Augusta, para seguir carreira solo. Guto Graça Mello e João Araújo resolveram lançar sua canção “Meu Mundo e Nada Mais” como tema da novela das sete, “Anjo Mau”. A oportunidade abriu as portas para Guilherme, que gravou seu primeiro LP em meados de 1976.
Mudança Para a Warner
Já consolidado como cantor e compositor, Guilherme deixou a Som Livre para assinar com a Warner. Foram cinco anos lançando discos que simplesmente quase não vendiam. A canção “Êxtase” foi a única a realmente conquistar destaque durante esse período.
Parceria com Elis Regina
No segundo semestre de 1980, Guilherme recebeu uma ligação de Elis Regina, pedindo para que ele compusesse alguma música para ela. Duas semanas depois, ele entregou “Aprendendo a Jogar”, que foi prontamente gravada e se tornou um dos grandes hits da cantora. Elis também gravou “Só Deus é Quem Sabe”, outro grande sucesso.
Planeta Água
Em 1981, prestes a ser dispensado do cast da gravadora, Guilherme foi convidado por Guti Carvalho para fazer parte do seu selo, dentro da própria Warner. A parceria resultou no lançamento de “Deixa Chover”, que se tornou tema de Beth Faria na novela “Baila Comigo”. Durante a mesma sessão de estúdio, Guilherme e Fernando Adour gravaram a clássica “Planeta Água”, música que entraria pouco tempo depois no Festival MPB Shell 81 e conquistaria o segundo lugar, sob protestos do público que esperava o primeiro lugar para a canção.
Lance Legal
No ano seguinte, o disco “Lance Legal” foi sucesso absoluto nas rádios, com canções como “O Melhor Vai Começar”, “Prelúdio”, “Todo Mês de Maio”, “Luz Verde”, porém o disco não vendeu o esperado e Guilherme deixou a Warner.
Canções Infantis
Já na Sigla, lançou o disco “Ligação”, que trouxe em seu repertório os hits “Pedacinhos”, “Graffitti” e “Grávida”. Nessa mesma época, mudou-se com a esposa Luiza para o bairro do Alto da Lapa, em São Paulo, onde fez diversas canções para especiais infantis em parceria com o poeta curitibano Paulo Leminski, com destaque para “Lindo Balão Azul” e “Brincar de Viver”. A inspiração para o mercado infantil veio, principalmente, dos filhos pequenos – Marietta e Gabriel – e do Pedro, que estava a caminho, na época.
Mudança para o Rio de Janeiro
Após a morte de Julio Barroso, em 1984, Guilherme e sua esposa ficaram muito abalados e decidiram se mudar para o Rio de Janeiro. Logo após a mudança, Guilherme foi contratado pela CBS, atual Sony, o que acabou se tornando um verdadeiro divisor de águas na sua carreira. Ao lado do diretor artístico Marcos Maynard, lançou “Olhos Vermelhos”, feita em Nova York, “Cheia de Charme”, “Gaivotas” e “Oceano”.
Em 1987, compôs a canção “Marina no Ar”, em parceria com o grande amigo Nelson Motta, que também era padrinho de seu quarto filho, Tiago, nascido um ano antes. Seu próximo álbum foi gravado na Califórnia, com produção de Ronnie Foster, e teve como destaque a canção “Um Dia, Um Adeus”, que integrou a trilha sonora de “Mandala” e se tornou grande sucesso nas rádios.
Romances Modernos
O disco seguinte, “Romances Modernos”, produzido por Max Pierre, foi considerado um de seus melhores trabalhos, com faixas como “Muito Diferente”, “Vôo (S. Conrado)”, “Bom Humor” e “Raça de Heróis”, que se tornou tema da novela “Que Rei Sou Eu?”.
Fase de Transição nos Anos 90
Com o crescimento do axé, do sertanejo e da dance music no início da década de 90, Guilherme entrou em uma nova fase de transição em sua carreira. Lançou o disco “Pão”, cuja faixa-título falava sobre seu novo momento como pai, além da faixa “Babel”, uma incursão pelo dance music que não foi muito bem recebido pela crítica e pelo público. Apesar disso, Guilherme seguia lotando as mais diversas casas de shows por todo o Brasil o que rendeu um disco duplo ao vivo, “Meu Mundo e Tudo Mais”, registro do show que teve a direção de Jorge Fernando.
Crescente
Nesse mesmo ano, foi para a gravadora EMI Odeon, onde produziu o disco “Crescente”, que teve a participação do Barão Vermelho e Luis Sergio Carlini na faixa “Taça de Veneno”. O trabalho, mixado no estúdio Mosh, com a supervisão do amigo Oswaldo Mallagutti, também trouxe a música “Sob o Efeito de um Olhar”, tema da novela “Vamp”, e “Ready For Love”, mais uma parceria com Nelson Motta. Para o lançamento do disco, foi produzido um clipe sob direção de Flavio Colker para divulgação na recém-chegada MTV.
Castelo
Em 1993, retornou à Sony para gravar o disco “Castelo”, que contou com as faixas “Lágrima de Uma Mulher”, “O Lado Prático do Amor”, “Um Pouco Mais”, “O Que Há de Bom”, “Alguém” e uma versão da clássica “The Secret Life of Plants”, de Stevie Wonder, chamada “Espírito Secreto de uma Vida”, que contou com a participação especial de Gilberto Gil.
Polygram
Nessa mesma época, separou-se da esposa Luiza, voltou a morar em São Paulo e foi convidado a assinar com a Polygram. O primeiro trabalho na nova gravadora foi um projeto repleto de versões de músicas consideradas fundamentais para Guilherme, como “Bridge Over Troubled Water”, “Killing Me Softly”, “The Poor Side of Town”, “Traces”, “You’re a Lady (I’m a Man), entre outras.
Os arranjos ficaram por conta do maestro inglês Graham Preskett, que já havia feito para a Polygram o CD de Maria Bethânia cantando Roberto Carlos. A produção foi tocada pelo velho amigo Guto Graça Mello, em Londres, com a participação da secção de cordas da Royal Phyllarmonic e a mixagem foi feita por Moog Canazio, em Los Angeles.
Outras Cores
O trabalho seguinte, “Outras Cores”, marcou seu retorno ao pop com canções como “Hora de Partir o Coração”, “Marca de Uma Estrela”, “Uma Espécie de Irmão”, que foi tema da novela “Salsa e Merengue”, e “Em Suas Mãos” – uma parceria com Nando Reis. O disco foi produzido, novamente, por Ronnie Foster, na Califórnia. O trabalho também ficou marcado pela estreia de Guilherme como videomaker, quando gravou e co-dirigiu, junto com Rubens Velloso, o clipe de “Marca de uma Estrela”, para a MTV, com participação de Beth Prado. Guilherme também gravou o clipe de “Meteoros”, ambientado em Pernambuco e no Observatório de Capricórnio, em Campinas.
Acústico
Em 1997, foi convidado a gravar um disco para a Globo-Polydor, com versões acústicas de seus principais hits, incluindo duas inéditas, “Mágica em Mim” e “Quando o Amor Falou Mais Alto”. Esse trabalho também marcou a inauguração de seu estúdio, localizado no bairro do Itaim-Bibi, em São Paulo. Com o estúdio, Guilherme buscava produzir não só seus próprios discos, mas também outros formatos de música, como trilhas para cinema e teatro e, esporadicamente, publicidade.
Nascimento de Paola
Em 1998, Guilherme foi pai novamente, com o nascimento de sua filha caçula, Paola. No ano seguinte, lançou um novo álbum pela Playarte e se deparou, mais uma vez, com um mercado que não estava aberto para canções melódicas.
New Classical Piano Solos
Em julho de 2000, lançou “New Classical Piano Solos”, um álbum de solos de piano concebido e executado inteiramente em seu pequeno estúdio em São Paulo. O disco foi lançado através do seu selo Verde Vertente Audio, com distribuição da Sony Music. O CD foi enviado para a apreciação do Conselho da Steinway, o que lhe rendeu um convite para integrar o Roster of Steinway Artists, uma das maiores emoções de toda a sua carreira. Nesta mesma ocasião, teve a oportunidade de realizar uma apresentação no Steiway Hall diante de uma selete plateia e com a participação de músicos da Julliard School.
Brazil Fest
Pouco depois do concerto, foi convidado por Nelson Motta e Maria Duha para participar do Brazil Fest – realizado no Damrosch Park, na concha acústica do Lincoln Center. Todo ano, o show leva mais de 10 mil pessoas, na maioria americanos, para assistir o encerramento do Lincoln Center Summer Festival. O show contou com a participação especial de Emilio Santiago, que cantou, ao lado de Guilherme, as canções “Coisas do Brasil”, “Samba do Avião” e “Canta Brasil”.
Mudança para Bahia e Novos Planos
No final do ano de 1999, Guilherme apresentou para o prefeito da cidade de Camaçari, José Trude, o projeto de uma Pousada/Estúdio ambientalista, para ser implantado na orla de Camaçari, litoral norte de Salvador. O prefeito adorou a ideia, o que resultou na concessão de um terreno de 32 mil m², à beira do Rio Jacuípe, inserido em uma importante Área de Proteção Ambiental do Vale do Capivara, na foz dos rios Capivara e Jacuípe, entre Arembepe e a Praia do Forte.
Nesse local, o projeto previa a implantação de uma pousada de 16 apartamentos, conjugada com dois estúdios de gravação, um pub, uma horta gigante, um viveiro de aves e uma escolinha de cultura ambiental voltada para o estudo da horticultura e para a procriação de crustáceos, moluscos, plantas, peixes e aves do Manguezal.
Com o rápido andamento do projeto, Guilherme decidiu mudar-se para a Bahia, no carnaval do ano 2000. Alugou uma casa simples em Vilas do Atlântico, município de Lauro de Freitas, a meio caminho do projeto. Já estabelecido na região, criou o Instituto Planeta Água de Pesquisas Educacionais e Ambientais para gerenciar a proposta social/ecológica que estavam desenvolvendo.
25 Anos de Carreira
Em 2001, sua canção “Prontos para Amar” foi incluída na trilha sonora da novela das oito, “Porto dos Milagres”. A presença da canção na novela motivou Guilherme a rever sua carreira, de tantos temas de novela, e partiu para a produção de um CD/DVD ao vivo em comemoração aos seus 25 anos de carreira.
O CD contava com os maiores hits da carreira apresentados em reedições mais pop, gravadas em parceria com uma superbanda, formada pelos Radiotaxis Wander Taffo (guitarra), Lee Marcucci (baixo) e Gel Fernandes (bateria), além de Rubem di Souza (teclados), Rick Ferreira (violão, guitarra) e Lino Simão (flauta e sax).
Paralelamente ao disco, também era filmado material para um DVD, com a direção do amigo Magrão, que utilizou nove câmeras dentro do mesmo Teatro Mars, onde Capital Inicial e Ira! haviam feito excelentes trabalhos. Na plateia inúmeras pessoas muito queridas e importantes para Guilherme, como a filha Marietta com a mãe dela, suas irmãs, Ana e Heloisa, sua mãe, Hebe, Paola, sua caçula, que dançava no palco durante os ensaios e muitos outros amigos. Foi, realmente, um trabalho muito especial.
Volta à Mídia e Shows Lotados
Em 2003, decidiu que era hora de lançar um novo CD de inéditas. O repertório do disco foi formado por canções criadas em território baiano, entre coqueirais e noites estreladas. As canções são verdadeiros odes à natureza, com destaque para a faixa “Casulo”, que foi incluída na trilha sonora da novela “Agora é que são Elas”. Nessa época, participou de diversos programas de TV, como Domingão do Faustão, Altas Horas, Bem Brasil e muitos outros. Os shows, que contaram com uma banda completamente renovada, seguiam sendo sucesso em diversas casas de show do grande circuito, como Via Funchal, em São Paulo, Teatro Guararapes, em Recife, Canecão, no Rio de Janeiro, e até na Praia de Copacabana, além de muitos outros por todo o Brasil.
Lótus
Em 2006, finalizou a produção do disco “Lótus”, inaugurando o estúdio em Jacuípe. O álbum teve como destaque a canção “Blue Moon Para Sempre”, que foi bem executada na Nova Brasil FM. O álbum também contou com duas músicas em parceria com o velho amigo Nelson Motta, festejando os 50 anos da bossa-nova.
Coaxo do Sapo
Com a chegada de seu filho Pedro, vindo da Espanha e Inglaterra, e com curso de áudio feito no Rio, começaram a modernizar o estúdio. Pouco tempo depois, seu outro filho, Tiago, também chegaria para cursar biologia na Bahia. Gabriel também já morava com o pai e com a chegada de Paola, sua caçula, a casa estava completa. Mais tarde, Marietta também chegaria com a banda Rockers Conrol. Nesse período o estúdio/pousada cresceu muito. Vários discos foram gravados no Coaxo do Sapo, que se firmava como selo fonográfico, com a ajuda dos filhos Pedro e Marietta, o que abriu o diálogo entre novas e velhas gerações.
Nos intervalos de muitos shows e viagens, Guilherme compunha um novo repertório todo ambientado em Jacuípe. A primeira canção dessa leva foi “Você em Mim”, criada especialmente para Maria Bethânia.
Condição Humana
Com o passar dos anos, Guilherme não conseguia uma pausa nas viagens e shows para poder verticalizar uma produção de material inédito. Em 2012, após uma cirurgia de emergência para tratar uma catarata, decidiu que era a hora de parar com os shows e viagens para poder mergulhar no estúdio e compor material inédito para um novo álbum. Foi assim que nasceu “Condição Humana”, um álbum que buscava resgatar a velha sonoridade vintage, com músicos vintage, sem medo de parecer ultrapassado.
O álbum foi recebido com entusiasmo pela crítica, com matérias nos cadernos de cultura dos jornais, na revista Rolling Stone e em diversos sites especializados. Eleito um dos melhores discos de 2013, o trabalho emplacou quatro faixas nas rádios brasileiras e concorreu ao Prêmio Multishow de Música Brasileira ao lado de Caetano Veloso (com “Abraçaço”) e Metá Metá. Nessa mesma época, recebeu uma tocante homenagem de Nelson Motta, na Globo, pelos seus 60 anos de vida.
40 Anos de Carreira
Para celebrar os 40 anos de carreira, lançou, em parceria com a Sony Music, uma caixa comemorativa com sua discografia completa. Além dos álbuns da carreira, a caixa também trazia um compilado de compactos e raridades, reunindo as faixas dispersas que não entraram nos discos, e um libreto manuscrito contando todas as histórias dos discos, com minúcias e detalhes incríveis.
Fonte: Site oficial Guilherme Arantes