Infância e Amizade com Milton Nascimento
Wagner Tiso Veiga, mais conhecido como Wagner Tiso, nasceu em Três Pontas, Minas Gerais, no ano de 1945. Filho de Francisco Ribeiro Veiga, bancário, e Walda Tiso Veiga, professora de piano, Wagner aprendeu a tocar acordeão ainda criança. Aos 11 anos, passou a participar do grupo musical da cidade, ao lado de Milton Nascimento, com quem criou amizade.
Início da Carreira
Em busca de condições melhores de estudos para os filhos, a família mudou-se para Alfenas, Minas Gerais, onde Wagner, inspirado pelo conjunto The Platters, criou o grupo W's Boys, com Milton Nascimento nos vocais. A banda realizou apresentações em bailes da região entre os anos de 1958 e 1961, com repertório composto de músicas norte-americanas, brasileiras e boleros.
Início do Clube da Esquina
Ao se mudar para Belo Horizonte para seguir carreira profissional na música, Wagner montou o grupo Holiday, novamente ao lado do amigo Milton Nascimento e seu irmão mais velho, Gileno, com quem gravou seu primeiro compacto duplo. Pouco tempo depois, criaram o Berimbau Trio, com Paulinho Braga, e o conjunto Evolussamba, com Marilton Borges. Os ensaios dos grupos aconteciam no apartamento da família de Lô Borges, dando início ao que seria o movimento Clube da Esquina. Nessa mesma época, Tiso também participou das gravações do grupo Sambacana.
Carreira no Rio de Janeiro
Em 1964, Wagner mudou-se para o Rio de Janeiro, onde fez parte de diversos conjuntos, entre eles o de Paulo Moura, com quem estudou teoria musical e orquestração, entre os anos de 1965 e 1967. Também produziu arranjos e tocou ao lado de grandes nomes, como Maysa, Cauby Peixoto, Marcos Valle, Ivon Curi e participou do 4º Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, em 1968, com a canção "O Viandante", uma parceria com o baixista Novelli e interpretada por Taiguara. Em 1970, também desenvolveu a trilha sonora do filme "Os Deuses e os Mortos", de Ruy Guerra, ao lado de Milton Nascimento.
Década de 70
Ao longo da década de 70, Tiso liderou o grupo Som Imaginário, com quem gravou os LPs "Som Imaginário" (1970), "Som Imaginário II" (1971) e "Matança do Porco" (1973), que se tornaram marcos da música instrumental brasileira. Paralelamente, continuou com a sua carreira de arranjador e instrumentista e manteve sua parceria com o amigo Milton Nascimento, exercendo função fundamental nos LPs "Clube da Esquina" (1972), "Milagre dos Peixes" (1973), "Ao Vivo" (1974), "Native Dancer" (1975) e "Minas" (1975).
Carreira Solo
Após mudar-se para Los Angeles, no fim da década de 70, retornou ao Brasil e iniciou carreira solo, lançando o LP homônimo "Wagner Tiso", em 1978, seguido por "Assim Seja", em 1979. Nessa mesma época, compôs trilhas para para cinema, teatro e TV, com destaque para os filmes "Jango", "Inocência" e "Chico Rei" e a minissérie "Primo Basílio", exibida pela Rede Globo.
Coração de Estudante
No decorrer da década de 80, Tiso gravou nove discos e realizou turnês pelo Brasil e exterior. Em 1984, a faixa "Coração de Estudante", com melodia de sua autoria e letra de Milton Nascimento, , tornou-se tema do movimento político Diretas Já. A canção, originalmente gravada como tema instrumental do filme "Jango", foi premiada com o Kikito de Melhor Trilha no Festival de Gramado daquele ano.
Década de 90
Nos anos 90, além de lançar sete discos, Tiso seguiu atuando como arranjador e instrumentista e compôs a trilha do filme "A Ostra e o Vento" (1997), de Walter Lima Jr. Essa parceria se repetiria em 2008, com a trilha do filme "Os Desafinados". Em 2002, desenvolveu os arranjos do álbum "O Doutor Baião", em homenagem a Humberto Teixeira, lançado pela gravadora Biscoito Fino.
60 Anos de Vida
Para comemorar os seus 60 anos de vida, lançou pela Universal Music "O Som Imaginário", um box com DVD e 2CDs, gravados durante o espetáculo realizado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a participação de Gal Costa, Milton Nascimento e Cauby Peixoto. Em 2009, lançou o disco "Samba e Jazz" e criou a trilha para o filme "Duas Mulheres", de João Mário Grilo.
Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural