O Teatro Casa Grande faz parte da vida cultural do Rio há mais de 50 anos. Nesse período, ajudou e acompanhou o desenvolvimento do Leblon, apresentou espetáculos artísticos dos mais importantes montados no Rio e tornou-se um símbolo de resistência democrática, abrigando debates e reuniões históricos que contribuíram para a redemocratização do país e a consolidação das liberdades políticas e sociais. Negócio fechado com um padre, nasceu ali o Café Teatro Casa Grande, em terreno privado pelo qual a Igreja receberia aluguel até que, quase uma década depois, o estado se declarou dono e reivindicou pagamento pelo uso. Um sucesso de imediato.
Após um breve período, cerca de dois anos depois, Max e seu sócio Moysés Ajhaenblat acharam por bem fazer dali um teatro. Com empréstimos bancários e de amigos, nasceu o Teatro Casa Grande, que teve dificuldades para se estabelecer inicialmente em um bairro ainda muito longe da referência de sofisticação que viria a ganhar nas décadas seguintes. Nessas quase seis décadas, o Casa Grande abrigou, entre outros, A Noviça Rebelde”, Hairspray, A Gaiola das Loucas, Hamlet, Um Violinista no Telhado, Tim Maia – o Musical, Cabaret, God, Bibi, um Musical, Minha Mãe é Uma Peça, Cão Sem Plumas, O Mistério de Irma Vap, Cia Deborah Colker e o que já se tornou tradicional na Casa, a apresentação anual do clássico Ballet O Quebra Nozes. Também passaram pelo teatro grandes nomes como Nara Leão, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Elis Regina, Chico Buarque, Gal Costa, Martinho da Vila, Vinícius de Moraes, Paulinho da Viola, Ivan Lins, Novos Baianos, Baden Powell, Família Caymmi, entre outros. Tudo isso em meio a dois episódios tristes: a tentativa de fechamento na época da ditadura militar, em meados dos anos 70, e o incêndio que destruiu totalmente o teatro nos anos 90.
Durante o regime militar, o Casa Grande era o lugar onde as pessoas podiam se encontrar e se tornou importante centro de encontros para debates fundamentais para a democracia que chegaria anos depois. Uma postura que levou à tentativa do regime de fechar o teatro, fracassada porque a classe artística se juntou aos intelectuais em um grande movimento de resistência e o Casa Grade permaneceu aberto. O teatro se tornou tão simbólico da resistência que, quando veio a redemocratização, lá foi assinado, com grande festa, o fim da censura no Brasil após a ditadura. Um símbolo que Tancredo Neves batizou de “Território livre da democracia no Brasil”. Frase estampada até hoje no cartaz que domina o foyer do Casa Grande. Com o passar dos anos, o teatro seguiu seu curso artístico com grandes sucessos até que veio o incêndio. Mas o Casa Grande não parou. Mesmo destruído pelo fogo, funcionou de forma alternativa, apresentando, inclusive, o espetáculo O Burguês Ridículo em meio aos escombros tão logo a área foi liberada pelo Corpo de Bombeiros. De forma precária, o Casa Grande funcionou ininterruptamente por mais de 10 anos e só veio a ter a estrutura atual a partir de acordo que permitiu o surgimento do Shopping Leblon, em 2008.
Horários da bilheteria: Ter a Dom 12h às 19h, em dias de espetáculo 30 minutos após o início da última sessão.