Início da carreira
Barão Vermelho é uma banda de rock brasileira fundada em 1981, no Rio de Janeiro, pelos integrantes Guto Goffi (bateria), Maurício Barros (teclado), Dé (baixo) e Frejat (guitarra). Ainda sem vocalista, Guto conseguiu o contato de um vocalista chamado Léo Guanabara (que posteriormente se tornaria conhecido como Léo Jaime). Léo acabou não sendo aprovado pelos outros integrantes e indicou Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, filho do diretor da gravadora Som Livre, João Araújo.
Em 1982 a banda gravou uma fita demo que chegou às mãos do produtor Ezequiel Neves e o agradou muito. Ezequiel levou a fita para Guto Graça Mello, diretor da Som Livre, que concordou que o material era de boa qualidade. Após convencerem João Araújo, pai de Cazuza, de que não haveria problema em contratarem a banda do filho, o Barão Vermelho assinou com a Som Livre.
A banda gravou seu primeiro LP, “Barão Vermelho”, em apenas 48 horas, com grandes canções como “Bilhetinho Azul” e “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”. No ano seguinte, em 1983, gravaram seu segundo LP, “Barão Vermelho 2”.
Apesar das críticas positivas, os dois primeiros álbuns do grupo não alcançaram o grande público. Caetano Veloso e Ney Matogrosso foram os responsáveis por alavancar o sucesso do grupo. Caetano interpretou “Todo Amor Que Houver Nessa Vida” durante o show de lançamento do seu LP “Uns”, elogiando Cazuza e criticando as rádios que não tocavam as músicas do grupo. Ney Matogrosso, por sua vez, gravou a canção “Pro Dia Nascer Feliz” e devido ao seu sucesso, fez com que a gravadora lançasse um compacto com a versão original do Barão Vermelho.
Sucesso nacional e saída de Cazuza
Em 1984 a banda foi convidada para participar do filme “Bete Balanço”, de Lael Rodrigues, lançando em compacto a música-tema, que também foi incluída no LP da trilha sonora do filme. No mesmo ano, lançaram o LP “Maior Abandonado”, que alcançou a marca de 100 mil cópias vendidas em apenas seis meses.
No ano seguinte, em 1985, a banda foi convidada para tocar no Rock In Rio e seguiu em turnê por todo o Brasil. Ainda no mesmo ano, Cazuza deixou a banda para seguir carreira solo. Com a sua saída, Frejat assumiu os vocais da banda.
Em 1986, lançaram “Declare Guerra”, seu quarto álbum de estúdio, que não obteve grande sucesso. No ano seguinte a banda assinou com a Warner Music e lançou o álbum “Rock’n Geral”. O álbum, apesar de bem avaliado pelos críticos, não vendeu mais do que 15 mil cópias. No mesmo ano, Maurício deixou a banda e Fernando Magalhães (guitarra) e Peninha (percussão) passaram a integrar o grupo.
Em 1988 a banda lançou o álbum “Carnaval”, que teve com destaque a música “Pense e Dance”, tema da novela “Vale Tudo”, exibida pela TV Globo. Nesse mesmo ano, Barão Vermelho ganhou a oportunidade de abrir a turnê de Rod Stewart no Brasil.
No ano seguinte, em 1989, a banda lançou o álbum “Barão ao Vivo”, gravado em São Paulo e a coletânea “Os Melhores Momentos de Cazuza e o Barão Vermelho”, que incluía diversos sucessos como “Pro Dia Nascer Feliz”, “Bete Balanço” e muitos outros.
Em 1990, o baixista Dé deixou a banda, dando lugar a Dadi, ex-integrante dos Novos Baianos. Maurício, que havia saído do grupo anos antes, retorna aos teclados do Barão. Nesse mesmo ano a banda lança o disco “Na Calada da Noite”, com músicas mais acústicas. Um dos destaques do álbum é a canção “O Poeta Está Vivo”, em homenagem à Cazuza, que morreria meses depois em consequência de complicações causadas pelo vírus HIV.
Dois anos depois, Barão foi eleito o melhor grupo do Hollywood Rock daquele ano. Nesse mesmo ano, o baixista Dadi foi substituído por Rodrigo Santos. Em 1994, o grupo participou do álbum “Rei”, um tributo a Roberto Carlos, produzido por Frejat. No ano seguinte a banda abriu os shows do Rolling Stones no Brasil.
Em 1996 lançaram o disco “Álbum”, cujo destaque ficou com a regravação da música “Malandragem, dá um tempo”, samba que ficou conhecido na voz de Bezerra da Silva. Três anos depois, em 1999, a banda gravou o álbum “Balada MTV”. Durante o seu lançamento Frejat anunciou que pretendia seguir carreira solo após a turnê promocional do disco. Em 2001, após apresentação no Rock In Rio 3, a banda decidiu dar uma pausa na carreira para que os integrantes seguissem com projetos pessoais.
Retorno aos palcos
A banda só se reuniu novamente no ano de 2004, com o lançamento do CD “Acústico MTV”, gravado em show no Canecão, no Rio de Janeiro. Em 2007 o grupo lançou o DVD “Barão Vermelho Ao Vivo no Rock In Rio”, com a gravação do show antológico de 1985, que contou com a apresentação de diversos clássicos da banda como “Beth Balanço”, “Mal Nenhum”, “Por Que A Gente É Assim” e “Down em Mim”. No mesmo ano, Ezequiel Neves, primeiro produtor da banda, lançou a biografia “Barão Vermelho – Por Que a Gente É Assim?”.
Em 2012 a banda comemorou 31 anos de carreira com o show “+ 1 Dose”, na Fundição Progresso. Ainda no mesmo ano, foi lançada uma versão remixada do primeiro LP da banda, “Barão Vermelho” (1982). A faixa-bônus inédita “Sorte e Azar”, composição de Frejat e Cazuza que ficou de fora do primeiro disco, foi o grande destaque do álbum, com a gravação original com a voz de Cazuza e parte instrumental toda renovada. A faixa também fez parte da trilha sonora da novela “Salve Jorge”, da TV Globo.
Com o retorno da formação original, a banda se apresentou em todo o país até o encerramento da turnê “+ 1 Dose” no ano de 2013. Em 2016, um dos seus integrantes mais antigos, o percussionista Peninha, faleceu no Rio de Janeiro.
Após a saída de Frejat, a banda voltou à ativa em 2017 com mais uma nova formação, com Rodrigo Suricato nos vocais, em um show de retorno no Circo Voador, no Rio de Janeiro, que inaugurou a turnê #BarãoParaSempre, uma celebração dos 36 anos da banda. O projeto passou pelas principais capitais e cidades do Brasil, com um repertório repleto dos maiores hits do grupo, como “Pro Dia Nascer Feliz”, “Pedra, Flor e Espinho”, “Por Você”, “Bete Balanço”, “Por Que A Gente é Assim” e muitas outras.
Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.