Início da Carreira
Elizabeth Santos Leal de Carvalho, mais conhecida como Beth Carvalho, nasceu no dia 5 de maio de 1946, no Rio de Janeiro. Filha de João Francisco Leal de Carvalho e Maria Nair Santos Leal, foi incentivada a gostar de música desde a infância e cresceu ouvindo as canções de Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso e Aracy de Almeida, grandes amigos de seu pai. Influenciada por todo esse ambiente, Beth começou a cantar nas festinhas e reuniões musicais dos anos 60.
Em 1964, seu pai foi cassado pelo golpe militar e para ajudar sua família nesse momento difícil, Beth começou a dar aulas de violão para 40 alunos. No ano seguinte, gravou seu primeiro compacto simples, com a canção “Por Quem Morreu de Amor”, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Em 1966, já inserida no mundo do samba, participou do show “A Hora e a Vez do Samba”, ao lado de Nelson Sargento e Noca da Portela.
Nessa mesma época, Beth Carvalho começou a participar de inúmeros festivais, como o Festival Internacional da Canção (FIC), Festival Universitário, Brasil Canta no Rio, entre outros.
Sucesso Nacional
Se tornou conhecida nacionalmente após conquistar terceira colocação no FIC de 68 com a canção “Andança”, de Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi. A canção deu nome ao seu primeiro LP, lançado no ano seguinte.
A partir de 1973, passou a lançar um disco por ano, emplacando diversos sucessos, como “1.800 Colinas”, “Saco de Feijão”, “Olho por Olho” e “Vou Festejar”. Também realizou importantes parcerias com grandes nomes do samba, como Nelson Cavaquinho, em “Folhas Secas” e Cartola com “As Rosas Não Falam”, em 1976.
Madrinha do Samba
Grande frequentadora dos pagodes, entre eles o famigerado Cacique de Ramos, Beth Carvalho ajudou a revelar grandes artistas como o grupo Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Sombra, Sombrinha, Arlindo Cruz, Luis Carlos da Vila, Jorge Aragão e muitos outros. Por isso mesmo, recebeu o apelido de “Madrinha do Pagode” e, posteriormente, Rainha ou Madrinha do Samba.
Beth Carvalho no Mundo
Beth Carvalho representou o Brasil no festival Olimpíada Mundial da Canção, em Atenas, na Grécia, onde se apresentou em um teatro de arena construído há 400 anos a.C. e recebeu um busto em homenagem à sua apresentação. A cantora também passou por outros inúmeros países europeus, como Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal, Áustria e Suíça.
Também se apresentou em diversas cidades dos Estados Unidos, como no renomado Carneggie Hall, em Nova York e na Universidade de Harvard, em Boston. Os palcos da América do Sul também receberam os shows da cantora, que passou por países como Uruguai e Argentina. Beth ainda se apresentou em algumas cidades africanas, como Johannesburgo, Lobito, Luanda e Soweto.
Apesar de nunca ter se apresentado no Japão, Beth vende milhares de CDs no país e sua carreira musical faz parte do currículo da Faculdade de Música de Kyoto.
Sua música chegou até ao espaço, quando a engenheira brasileira da NASA, Jacqueiline Lyra, programou a canção “Coisinha do Pai”, grande sucesso do repertório de Beth, para “acordar” o robô que explorava Marte, em 1997.
Homenagens no Carnaval
Em 1984, Beth Carvalho foi homenageada pela Escola de Samba Unidos do Cabuçu, com o enredo “Beth Carvalho, a Enamorada do Samba”, com o qual a escola sagrou-se campeã e conquistou o acesso ao Grupo Especial do carnaval carioca. No ano seguinte, a escola Bohêmios de Inhaúma também homenageou a cantora em seu samba-enredo. Mais recentemente, a escola Acadêmicos do Tatuapé levou o enredo “Beth Carvalho, a Madrinha do Samba” para o Anhembi, em São Paulo.
Anos 2000
Em 2002, recebeu o Troféu Eletrobrás de Música Popular Brasileira das mãos de Dona Zica, viúva de Cartola, no palco do Teatro Rival, no Rio de Janeiro. Também foi selecionada pela presidência da Câmara Municipal do Rio de Janeiro para entregar o título de Cidadão Honorário da Cidade à Fidel Castro.
Seu 27º disco, “Nome Sagrado – Beth Carvalho canta Nelson Cavaquinho”, foi uma homenagem a seu compositor preferido e contou com a participação do afilhado Zeca Pagodinho, além de Wilson das Neves e Guilherme de Brito. O disco foi indicado ao Prêmio TIM de Música na categoria “Melhor Disco de Samba”.
Em 2004, gravou seu primeiro DVD, “Beth Carvalho, a Madrinha do Samba”, que lhe rendeu um DVD de platina. O CD de mesmo nome recebeu o Disco de Ouro e também foi indicado ao Grammy Latino em 2005, na categoria “Melhor Álbum de Samba”.
Em 2005, Beth Carvalho abriu o Theatro Municipal do Rio de Janeiro para celebrar o Dia Nacional do Samba e seus 40 anos de carreira. O espetáculo contou com a presença dos maiores nomes do samba, como Dona Ivone Lara, Monarco, Nelson Sargento, Zeca Pagodinho, Dudu Nobre, entre outros. O registro do show foi lançado em CD e DVD e recebeu uma indicação ao Grammy Latino, na categoria “Melhor CD de Samba”. O disco também marcou o lançamento do selo Andança, criado pela cantora.
Em 2007, a cantora lançou o CD/DVD “Beth Carvalho canta o Samba da Bahia”, em homenagem aos compositores baianos de diferentes gerações. O CD/DVD foi gravado no Teatro Castro Alves, em Salvador, e contou com a participação de Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Margareth Menezes, Carlinhos Brown, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Olodum, Riachão e Danilo Caymmi. O DVD também traz um histórico documentário que conta a história do samba de roda da Bahia. O álbum também foi indicado ao Grammy Latino de 2008.
Reconhecimento Nacional e Internacional
Em 1º de maio de 2009, em um evento de celebração do Dia do Trabalho com mais de 100 mil pessoas, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, Beth Carvalho recebeu o título de Comendadora das mãos do Ministro do Trabalho e do Emprego, Carlos Lupi. Além do título, Beth também recebeu a Ordem do Mérito do Trabalho Getúlio Vargas, em reconhecimento aos serviços que a cantora prestou na divulgação da cultura e da música brasileira.
Ainda em 2009, a cantora recebeu um dos reconhecimentos mais importantes do Grammy, o prêmio “Lifetime Achievment Awards”, uma homenagem à sua longa história de sucesso. Beth se tornou a primeira sambista a receber esse prêmio. No fim desse mesmo ano, Beth foi obrigada a se afastar dos palcos e da carreira devido a um problema de saúde.
Retorno aos Palcos
Seu retorno aos palcos aconteceu no dia 19 de fevereiro de 2011, quando encerrou o evento SESC Rio Noites Cariocas com uma apresentação memorável que recebeu inúmeros elogios do público e da crítica especializada. Nesse mesmo ano, lançou seu 33º álbum de inéditas, “Nosso Samba Tá na Rua”, produzido por Rildo Horta, que já havia produzido os seus mais importantes discos na década de 70. O álbum recebeu o prêmio de “Melhor Álbum de Samba/Pagode” no Grammy Latino de 2012 e também no Prêmio da Música Brasileira, na categoria “Melhor Disco de Samba”.
A turnê do disco “Nosso Samba Tá Na Rua” foi retomada em um Vivo Rio lotado, em setembro de 2013, após um período de hospitalização de quase um ano da cantora. Nesse mesmo ano, apresentou-se no show da virada no Réveillon de Copacabana. Em 2014, foi homenageada com uma exposição de fotos, vídeos e áudios no Centro Cultural João Nogueira. Nesse mesmo ano, gravou seu quinto DVD, “Beth Carvalho Ao Vivo no Parque Madureira”, diante de 50 mil pessoas, com participação de sua sobrinha e cantora, Lu Carvalho e do afilhado Zeca Pagodinho.
Ao longo dos seus 50 anos de carreira, Beth Carvalho lançou 34 discos e cinco DVDs; já recebeu seis Prêmios Sharp, 17 Discos de Ouro, nove de Platina, dois DVDs de Platina, além de centenas de troféus e premiações.
Obra Imortalizada
Em 2018, sua obra fundamental, gravada durante seu período áureo - de 1976 a 1987 - foi finalmente digitalizada e disponibilizada ao público nas plataformas de streaming. Os trabalhos “De Pé no Chão” (1978), “No Pagode” (1979), “Beth” (1986) e “Beth ao vivo em Montreux” (1987) chegaram às plataformas para imortalizar e preservar, definitivamente, o extenso repertório de Beth Carvalho, permitindo que as novas gerações possam compreender e conhecer o trabalho de uma das maiores lendas do samba.
Fonte: Site oficial Beth Carvalho