História
Oswaldo Lenine Macedo Pimentel, mais conhecido como Lenine, nasceu no dia 2 de fevereiro de 1959, em Recife, Pernambuco. Desde criança demonstrava interesse pela música. Na época, o pequeno Lenine tocava escondido o violão da irmã mais velha, quando conseguia roubar a chave do armário onde ficava guardado o instrumento.
Aos oito anos, os pais de Lenine lhe deram a oportunidade de escolher qual programação de domingo ele gostaria de seguir: ir à missa com a mãe ou as audições de discos com o pai. Escolheu a música e ouvia um repertório que ia de Tchaikovsky a Dorival Caymmi.
Aos 17 anos ingressou na faculdade de Engenharia Química. Musicalmente, já havia se tornado fã de rock n’ roll e estava impactado pela sonoridade do Clube da Esquina. Foi nessa época que começou a criar suas primeiras composições.
Aos 20 anos trancou a faculdade e mudou-se para o Rio de Janeiro, buscando realizar o sonho de viver de música. Passou a residir em Botafogo, onde dividia a casa com outros amigos e compositores. O grupo morava na chamada Casa 9, famosa por ter sido moradia de Luís Carlos Lacerda (Bigode), Jards Macalé e Sônia Braga. Pouco tempo depois, Lenine se mudou para a Urca, onde reside até hoje.
Início da Carreira
Participou do festival MPB 81, promovido pela TV Globo. A convite de Roberto Menescal, gravou com Lula Queiroga seu primeiro LP, “Baque Solto” (Polygram), em 1983. Nessa mesma época, também trabalhava como violonista de Danilo Caymmi.
O segundo disco só viria dez anos após “Baque Solto”. Durante esse período, firmou-se como compositor especialmente após começar a frequentar as rodas de samba do Cacique de Ramos, onde compôs sambas para blocos cariocas como Simpatia É Quase Amor e Suvaco de Cristo.
Parcerias
Em 1989, Elba Ramalho gravou “A Roda do Tempo”, composição de Lenine e Bráulio Tavares, para o disco “Popular Brasileira”. Nessa mesma época, Lenine passou a ser requisitado para compor trilhas sonoras de novelas e seriados. Em 1992, Elba gravou mais uma música de Lenine e Bráulio Tavares, “Miragem do Porto”, no disco “Encanto”.
Em 1993, Lenine lançou o disco “Olho de Peixe” (Velas), em parceria com o percussionista Marcos Suzano e produzido por Denilson Campos, Marcos e Lenine. O álbum é considerado o mais importante da sua carreira, lhe rendendo turnês internacionais pela Europa, Ásia, Estados Unidos e, especialmente, no Japão.
Carreira solo
Seu primeiro disco solo, “O Dia Em Que Faremos Contato” (BMG), foi lançado em 1997, produzido por Chico Neves e mixado em Londres no Real World Studio, conceituado estúdio de Peter Gabriel. O álbum recebeu dois prêmios Sharp, nas categorias “Revelação” e “Melhor Canção” com ‘A Ponte”, de Lenine e Lula Queiroga.
Em 1999, lançou “Na Pressão” (BMG), produzido em parceria com Tom Capone. O disco ganhou o prêmio de “Melhor Álbum de Música Popular” da APCA e marcou presença na lista de melhores discos de diversos países, vendendo mais de 40 mil cópias somente na França.
Prêmios e sucesso internacional
O sucesso internacional do álbum rendeu novas turnês na Europa, Japão, Canadá e especialmente na França, onde passou a realizar turnês anuais de grande sucesso. No ano 2000, foi responsável pela direção musical do espetáculo Cambaio, com composições de Chico Buarque e Edu Lobo.
Seu quinto disco, “Falange Canibal” (BMG), foi lançado em 2002 com a produção de Tom Capone e participações especiais do Living Color, da cantora americana Ani Di Franco, Eumir Deodato, Steve Turre e da Velha Guarda da Mangueira. O disco conquistou o Grammy Latino na categoria “Pop Contemporâneo Brasileiro”.
Em 2004, Lenine se tornou o segundo brasileiro na história a ser convidado pelo projeto “Carte Blanche”, na Cité de La Musique, em Paris. Antes dele, somente Caetano Veloso havia participado. A proposta do projeto é dar ao artista “carta branca” para produzir o espetáculo que quiser. Para seu show, Lenine convidou a artista cubana Yusa e percussionista argentino Ramiro Musotto. A apresentação se tornou o CD e DVD “Lenine Incité”, que foi premiado no Grammy Latino nas categorias “Melhor CD de Música Contemporânea” e “Melhor Canção” com “Ninguém Faz Ideia”, de Lenine e Ivan Santos. O trabalho também conquistou quatro Prêmios da Música Brasileira nas categorias “Melhor CD”, “Melhor Música”, “Melhor Cantor” e “Melhor Cantor – Voto Popular”.
Em 2005, produziu o álbum “Segundo”, de Maria Rita, e o álbum “De Uns Tempos Pra Cá”, de Chico César. Nesse mesmo ano, foi uma das principais atrações do “Ano do Brasil na França”, onde apresentou sua obra e grandes clássicos brasileiros ao lado da Orquestra Nacional de Île de France e um coro de 1400 jovens franceses do ensino público.
Em 2006, lançou “Lenine Acústico MTV” (Sony BMG), que foi premiado na categoria “Melhor CD Pop Contemporâneo” no Grammy Latino. Neste mesmo ano, a coletânea Lenine (Degrees Records) foi editada nos Estados Unidos.
Em 2008, lançou o CD e LP “Labiata” (Casa 9/Universal), com destaque para a música “Martelo Bigorna”, que integrou a trilha sonora da novela Caminho das Índias, da TV Globo, e foi premiada na categoria “Melhor Canção Brasileira” do Grammy Latino. O processo de criação do álbum e seu show de lançamento no Olympia de Paris foram registrados pelo cineasta Rodrigo Pinto, dando origem ao filme “Continuação”, lançado no mesmo ano no Festival do Rio.
No ano seguinte, em 2010, lançou o projeto “Lenine.doc – Trilhas” (Casa 9/Universal), reunindo canções compostas para novelas, seriados, filmes, comerciais, espetáculos de teatro e dança. O lançamento do álbum foi seguindo de mais uma turnê nacional e internacional.
Seu décimo álbum de carreira, “Chão” (Casa 9/Universal), produzido em parceria com Bruno Giorgi e Jr. Tolstoi, é lançado em outubro de 2011. O novo trabalho é considerado ousado e conceitual pela crítica, com dez canções que trazem os sons do seu cotidiano, como o canto de um pássaro, o ruído de uma chaleira e o barulho de cigarras no verão da Urca.
30 anos de carreira
Em 2013 comemorou 30 anos de carreira com homenagens, documentários e 30 projetos especiais, como o reencontro com Marcos Suzano no show 20 Anos de Olho de Peixe, no Rio de Janeiro, a turnê europeia The Bridge com a Martin Fondse Orchestra, um show especial em Recife celebrando os 30 anos do disco Baque Solto, além da turnê Concertos Chão e o os shows Lenine Solo. No mesmo ano o artista foi uma das atrações do Palco Sunset no Rock In Rio.
Ambientalismo e trabalhos recentes
Em 2014, Lenine percorreu o Brasil com a Turnê Socioambiental, se apresentando nas sedes de projetos sociais em todas as regiões do país. O projeto foi descrito no livro “Encontros Socioambientais com Lenine: Música e Sustentabilidade numa só nota”. Ainda no mesmo ano, dividiu palco com Rui Veloso e Angelique Kidjo, no Rock In Rio Lisboa e com Maria Gadú, na turnê “Cantautores” que percorreu a América do Sul.
Gravado de janeiro a março de 2015 entre Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Amsterdam, o disco de inéditas “Carbono” foi lançado em abril de 2015. O álbum faz referência à química, ciência estudada por Lenine na juventude e trata de forma poética a capacidade do carbono de gerar, através de suas conexões com outros átomos, uma infinidade de coisas.
Em 2016, gravou na Holanda o CD/DVD “The Bridge – Lenine & Martin Fodse Orchestra – Live at Bimhuis”. Em 2018, lançou o álbum “Em Trânsito”, gravado no Rio de Janeiro se reinventando com músicas consideradas livres e sem adjetivos.
Fonte: Site oficial Lenine.