Biografia
Tudo começou quando Bino frequentava a igreja local, acompanhando o pai, que tocava violão, e a mãe que cantava no coral. Foi lá que Bino conheceu Da Gama e Lazão, com quem formou o grupo Novo Tempo. Pouco tempo depois, em 1983, Bernardo Ras passou a integrar a banda, que mudou seu nome para Lumiar. Os jovens tinham paixões em comum, como o reggae, Bob Marley, o funk e soul dos anos 70, em especial, a música brasileira, como Tim Maia, e grandes clássicos do rock, como Led Zeppelin. Foi essa eclética junção de ritmos que originaria o som único do Cidade Negra.
A banda realizou seu primeiro show no ano de 1986, no Teatro Arcadia, na baixada fluminense, como parte do projeto “Terças Culturais”. Em função da existência de outra banda chamada Lumiar, o grupo passou a se chamar Cidade Negra. Em 1990, um documentário da BBC de Londres sobre a cultura na baixada fluminense deu evidência à banda e chamou a atenção da Sony Music, que decidiu apostar no grupo.
Um ano depois, lançariam o primeiro disco da banda: “Lute Para Viver”. Com produção de Nelson Meirelles e Eduardo Egs, o álbum trouxe letras politizadas sobre a vida e seus ensinamentos e lançou o hit “Falar a Verdade”, que rapidamente conquistou as rádios brasileiras. O disco também contou com a participação especial de Jimmy Cliff na canção “Mensagem”.
Em 1992, se tornaram o primeiro grupo latino-americano a se apresentar no Reggae Sunsplash Festival, em Montego Bay, na Jamaica. Ao retornarem ao Brasil, entraram em estúdio para gravar o álbum “Negro no Poder”, lançado no mesmo ano. O disco trouxe canções ainda mais politizadas e pesadas e foi o último com Bernardo à frente dos vocais, que deixaria a banda para seguir carreira solo.
O ano de 1994 marcou a chegada de Toni Garrido ao Cidade Negra. O ex-vocalista da Banda Bel (uma banda de samba, funk e soul) substituiu Bernardo Ras e logo imprimiu seu estilo único nos vocais e composições da banda.
O terceiro álbum, “Sobre Todas as Forças”, trouxe um som mais diversificado e pop que caiu nas graças do grande público, com canções como “A Sombra da Maldade”, “Pensamento” e o grande sucesso “Onde Você Mora?”, composta por Nando Reis e Marisa Monte. Produzido por Liminha, o disco contou com as participações de Shabba Ranks e de Gabriel O Pensador.
O quarto álbum da carreira, lançado em 1996, foi o responsável por consolidar o sucesso da banda em território nacional. O disco “O Erê”, produzido por Liminha, teve como grande destaque os hits “Firmamento” e a faixa-título “O Erê”.
Em 1998, o disco “Quanto Mais Curtido Melhor”, novamente produzido por Liminha, emplacou mais um sucesso nas rádios brasileiras, com a canção “A Estrada”. O álbum teve a participação de Lulu Santos na inédita “Sábado a Noite” e da cantora africana Angelique Kidjo.
Em 1999, a banda lançou o disco duplo “Hits & Dubs”. O “Hits” trazia uma coletânea dos maiores sucessos da carreira da banda, enquanto o “Dubs” contava com versões de suas músicas remixadas por alguns dos maiores nomes do reggae e do dub, como Lee ‘Scratch’ Perry, Steel Pulse e Mad Professor, além de produtores e amigos da banda, como Nelson Meirelles, Liminha e Paul Ralphes.
No ano seguinte, lançaram “Enquanto o Mundo Gira”, um disco muito mais próximo do pop do que do reggae. O álbum teve como destaque as canções “A Flecha e o Vulcão”, “Podes Crer” e “Voz do Excluído”, com a participação do rapper MV Bill.
Em 2002, foram convidados para gravar o Acústico MTV, gravado em CD e DVD. Com produção de Liminha e Paul Ralphes, o repertório do álbum reuniu os maiores sucessos da banda em versões repaginadas, além das inéditas “Girassol”, “Berlim” e a versão em português de “Johnny B. Goode”, de Chuck Berry. O acústico também contou com a participação de Gilberto Gil na canção “Extra”, de sua autoria.
O primeiro disco de inéditas após o acústico veio somente em 2005, com o lançamento de “Perto de Deus”. O álbum resgatou o reggae raiz destacando-se as faixas “Perto de Deus”, com a participação de Anthony B, “Além das Ondas”, “Eu Sei Que Ela” e “O Homem Faz a Guerra”, com a participação do rapper Rappin Hood. O álbum também traz uma versão de “Concrete Jungle”, um dos maiores sucessos de Bob Marley.
Para comemorar os 20 anos de carreira, em 2006, a banda lançou o CD e DVD duplos “Direto – Ao Vivo”. Gravado na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, o repertório contou com os grandes sucessos da banda e sete faixas inéditas, com destaque para “Bamba” e “O Paraíso Tem Um Tempo Bom”, gravada em estúdio. O show foi marcado pela participação de ilustres convidados, como Lulu Santos e Os Paralamas do Sucesso.
No ano seguinte, o CD/DVD “Diversão – Ao Vivo”, gravado no Teatro Popular, em Niterói, homenageou os grandes nomes da música brasileira, como Cazuza, Chico Buarque, Jorge Bem Jor e Legião Urbana, com releituras de grandes sucessos da MPB em ritmo de reggae. O faixa de trabalho do álbum foi “Meu Coração”, de Gilberto Gil e Pepeu Gomes, lançada originalmente em 1979.
Depois de 14 anos de estrada, em abril de 2008, Toni Garrido anunciou a sua saída da banda em abril de 2008, para se dedicar à banda Flecha Black e à sua carreira solo. Toni foi substituído pelo vocalista Alexandre Massau, que fez sua estreia com a banda no Festival de Inverno da cidade de Santos Dumont, Minas Gerais. Cinco meses após a saída de Toni, o guitarrista Da Gama também anunciou seu desligamento da banda para seguir carreira solo.
Três anos após sua saída, Toni Garrido anunciou seu retorno ao Cidade Negra. Em 2015, a banda tocou os maiores sucessos dos seus 20 anos de carreira no palco principal do Rock in Rio, na mesma noite que A-HA, Katy Perry e Robyn. O show foi uma grande homenagem ao reggae brasileiro.
Em 2017, a banda celebrou a obra de Gilberto Gil com o projeto “Cidade Canta Gil”, com versões de grandes clássicos da carreira do cantor e compositor baiano, como “A Novidade”, “Esperando na Janela”, “Palco”, “Realce” e “Vamos Fugir”. O repertório também incluía os maiores sucessos do Cidade Negra, como “Firmamento”, “A Estrada” e “O Erê”.
Fonte: Facebook oficial Cidade Negra