Música

Headliner Entrevista: Lissa volta aos palcos e celebra 40 anos na música

23.04.2026 por Giulia Bressani

Após uma pausa na música e um período turbulento na vida pessoal, Lissa - anteriormente conhecida como Li Martins - subiu ao palco do Blue Note São Paulo no último dia 21 de abril para celebrar sua própria carreira.

Vestindo um kimono, a cantora abriu a noite relembrando músicas japonesas que cantava com a família em karaokês na infância, em especial com a avó. Ao longo do show, ela revisitou seus momentos como cantora de casamentos e serenatas, integrante de girl group e atriz de musical, além de dedicar músicas específicas para o pai e para o marido, em momentos que emocionaram o público.

Antes do show, Lissa bateu um papo exclusivo com o Headliner sobre a volta aos palcos, o processo de escolha do repertório tão pessoal e refletiu sobre os 40 anos de sua vida que passou dedicada à música. Confira!

 

Qual é a sensação de estar de volta aos palcos?

A sensação de voltar aos palcos depois de tudo que eu passei é… Rola uma insegurança, um frio na barriga, um medo de ‘será que eu vou conseguir?. Nos ensaios mesmo eu estava sentindo a voz ainda um pouco insegura. É um misto de muita alegria também, muita satisfação de, principalmente, estar aqui no palco do Blue Note, que é uma casa em que eu sempre sonhei em um dia me apresentar. Então, muita alegria nesse sentido por essa realização, mas uma insegurança, um frio na barriga também, que acho que é natural, né? Normal, acho que sempre vai ter.

 

E como foi o processo para você escolher o repertório desse show?

Foi difícil selecionar só 20 músicas. Como a ideia era contar a minha história, então se eu comecei com 4 anos de idade, são quase 40 anos de história para contar em 1 hora e meia. É muito difícil. Então tentei pontuar músicas que marcaram momentos da minha história: Parte da música japonesa quando eu comecei, momentos em que comecei a cantar em eventos, cantando músicas sertanejas... Porque como eu morava no Paraná, tinha que cantar música sertaneja para ter espaço, senão não tinha onde. Depois os casamentos, serenatas. E a a fase que acho que mais marcou o Brasil, né? Com o grupo, de 2002 a 2006. Teve o teatro musical e aí músicas que refletem o que estou vivendo hoje.

 

Que mensagem você gostaria de deixar pro público com esse show?

Que sempre tenham coragem de continuar para seguir, por mais que os desafios façam a gente acreditar que não existe uma saída, sempre tem, né? Às vezes é difícil enxergar, nesses momentos, principalmente, parece que tem uma névoa e a gente não consegue ver nada, mas ter pessoas que querem o nosso bem em volta dizendo ali: "Vai, continua, segue, que vai dar certo” e que Deus nunca abandona a gente. Deus está sempre com a mão ali, basta a gente querer estender a mão para Ele para seguir. Então, é clichê até dizer isso, mas é o ‘está com medo, vai com medo mesmo’. É o que traduz o momento que eu estou vivendo hoje.

 

E sua filha agora está começando a seguir também um pouquinho os seus passos. O quanto ela te influenciou e está te influenciando nesse momento?

Ela nunca fala nada, mas eu fico emocionada de ver o quanto ela admira, o quanto ela fala com tanto orgulho. Quando eu falei do show ela foi a primeira a falar: "Eu quero ir.” Então é muito gostoso ter ela como uma parceira agora nesse momento e ver a admiração que ela tem. Isso me inspira a ser cada vez melhor, a ser um ser humano melhor. Não falo nem como artista, sabe? Mas como ser humano, como mãe. Eu falo: "Meu Deus, como a gente tem que realmente ser exemplo". E isso me inspira a ser sempre melhor, a querer melhorar a cada dia.

 

Qual você diria ser a maior diferença entre a mulher que você é hoje em relação à Lissa que foi apresentada pro Brasil enquanto Patrícia 25 anos atrás? O que você acha que mais mudou em você desde então?

Foram tantos anos, quase 25 anos, né? Deu tempo de amadurecer, deu tempo de ter uma outra percepção de vida. Deu tempo de conhecer o sucesso, de conhecer o lado bom e o lado não tão bom assim. Então hoje eu tenho outros valores, outras prioridades. Eu tenho uma outra visão de vida e acho que hoje eu me permito ser quem eu sou, sem me preocupar tanto com o que as pessoas vão pensar, sem me preocupar em ser um personagem. Não que eu fosse, mas muitas vezes a gente tem receio de mostrar 100% de quem a gente é por medo do julgamento, medo do que as pessoas vão pensar e vão dizer. E hoje eu já sinto que tenho mais liberdade de poder ser quem eu sou, sem filtros e sem precisar fingir ser alguma coisa que eu não sou.

 

E tem algo nessa trajetória nos últimos 25 anos que você teria feito diferente ou teria mudado se tivesse a chance?

Eu acho que não, porque todas as minhas escolhas e todas as minhas decisões foram baseadas no entendimento e no conhecimento que eu tinha naquela fase. Então assim, se eu tivesse o conhecimento que eu tenho hoje, talvez eu tivesse feito coisas diferentes. Mas eu acho que, com cada idade, a gente tem um aprendizado, então eu precisava passar por aquilo para ter o entendimento das coisas que tenho hoje. Então acho que não mudaria nada não, que não faria nada de diferente. 

 

E para a gente terminar, quais são os seus próximos planos agora e no futuro?

Ai, que pergunta difícil! Para os próximos planos acho que quer deixar fluir. Ver o que Deus tem preparado para mim lá na frente e viver um dia após o outro. Eu já passei muito tempo da minha vida sofrendo com o futuro, com o que será que vai ser. Hoje eu escolho viver no presente e acreditar que Deus está preparando o que está lá na frente e eu não preciso me preocupar com isso.

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