Música

Headliner Entrevista: Danilo Cutrim fala sobre show solo e novo álbum Neon

23.04.2026 por Equipe Headliner

No dia 21 de abril, Danilo Cutrim realizou um show intimista de voz e violão no Bona Casa de Música, em São Paulo. O repertório passeou por faixas do seu projeto solo, além de sucessos do Braza e do Forfun, trazendo um toque nostálgico ao público que ainda sente saudade da banda.

Antes da apresentação, conversamos com o artista sobre o momento atual da carreira, o processo de composição, as novidades do novo álbum e suas principais referências musicais.

Confira!

Sabemos que existe o Danilo do Braza, o do Forfun e o solista. Qual é a maior diferença entre eles e o que muda no seu processo de composição e produção?

O Danilo do Forfun marca o início da minha carreira, quando eu ainda era muito novo, tinha por volta de 18 anos. No fim das contas, é tudo a mesma pessoa, a mesma verdade artística. O que muda são alguns aspectos musicais e de processo. No Braza, existe um coletivo de compositores, a gente faz questão de criar junto. No Forfun também era assim. Já no trabalho solo, sou eu comigo mesmo. Até existem algumas parcerias, mas, na maioria das vezes, componho sozinho. Isso traz uma liberdade maior para falar exatamente o que eu quero no momento. Em uma banda, é preciso alinhar ideias e sentimentos entre todos. No solo, existe esse lado mais solitário, mas, ao mesmo tempo, a liberdade de fazer exatamente o que eu quiser.

 

Você já se aventurou no hardcore, no reggae, no samba, rap e funk carioca. Tem algum gênero em que você ainda não se aventurou e gostaria? 

Eu não me aventurei ainda no piseiro, sertanejo. Um piseiro de repente eu gostaria.

 

Como foi a composição do primeiro símbolo do álbum, o Neon, com a música ‘O Tempo Para’, por que escolheu esse ritmo envolvente ao mesmo tempo leve?

Na verdade, esse é um ritmo que eu venho perseguindo há algum tempo, só que não é tão simples. Você tem que ter um know-how para poder produzir, a maneira de tocar a guitarra, de compor. A composição, ela já tem que trazer toda a rítmica e estrutura que a música vai ter e cantar agudo, é o principal. Eu venho trabalhando durante anos, eu cantava num tom e agora eu fiz uma extensão que tá gostoso de cantar agudo. Eu gosto muito de dançar, e aí alinhou tudo isso, a voz aguda com o know-how, e a vontade interior de sacudir.

 

E o que a gente pode esperar do álbum Neon? Quantas faixas terá e você vai fazer mais shows solos pro Brasil?

Com certeza, vou fazer muitos shows solo. Estou muito ansioso para lançar o Neon. O Neon vai ter sete faixas. Estou nessa linha, um pouco dos anos 80, com timbres marcantes da época, de teclado, de guitarra, os músicos que eu convidei e a galera que produziu, é bem essa vibe. É uma onda dançante e esperem muitos vocais agudos.

 

Você acha que o Neon vem na mesma pegada de Azul ou são ritmos e estilos diferentes?

Eu acho que o Neon é uma continuação do Azul. No Azul, tem umas duas ou três músicas que têm pegada soul, rítmica para dançar. Evoluiu um pouco esse lance no Neon. A diferença é que o nome Neon surgiu na primeira música. Quando eu fiz ‘O Tempo Para', eu falei: “o nome do disco vai ser Neon”. Então, se tem o reggae ou outras composições, não entraram nesse disco. Esse disco vai ser disso, vai falar disso. A capa, a ideia é fazer uma coisa que esteja aglutinada. Acho que é a principal diferença.

 

Se você pudesse escolher uma música do álbum que melhor te representa, qual seria?

Do álbum Neon, é ‘Meu Jardim'. Foi uma música que, surpreendentemente, foi a que mais a galera ouviu, mais repercutiu. É uma música muito verdadeira. Tem músicas que você demora um, dois, três anos para fazer. Essa música demorou meia hora. Ela foi cuspida. Não que uma coisa seja melhor que a outra, mas acontece assim também. E eu devo confessar que estava muito apaixonado. E quando você está, vai para um outro degrau de sinceridade. É uma música muito sincera. Acho que ‘Meu Jardim’ me representa muito. E só, sem querer me estender, é uma música que fala de amor, de paixão, mas que, se você for reparar, fala muito sobre mim. Sobretudo do que eu gosto. Eu faço a analogia de estar com ela, do que ela é para mim, através de situações de que eu gosto. 

 

Quais são as suas principais referências musicais?

Nossa, essa é uma pergunta muito difícil.  MPB, no geral, os grandes e as grandes. Caetano, Djavan, Gil, Chico Buarque, Bethânia. Isso aí acho que todo mundo fala. Todo músico brasileiro, a grande maioria, vai falar. Eu acho que também, em relação a dançar, que o Lincoln Olivetti, Robson Jorge, Cassiano, Tim Maia, Sandra Sá. Atualmente, não usei tanta referência pro Neon, mas eu tenho ouvido muito forró. Elba Ramalho, Marinês, coisa mais antiga, até coisa mais nova. O Diego Oliveira, Forró Fiar, Dona Zefa, Mari Melo.

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