Rock

Nostalgia e o Brasil Emo de Novo: Como foi a I Wanna Be Tour 2025

31.08.2025 por Luana Rezende

O Brasil voltou para os anos 2000 nos dias 23 e 30 de agosto com a I Wanna Be Tour. O festival reuniu nomes do emo, punk e hardcore nacional e internacional, como Fake Number, Fresno, Dead Fish, The Veronicas, Good Charlotte e Fall Out Boy.

A I Wanna Be Tour realizou, pelo segundo ano seguido, o festival que celebra a era das roupas quadriculadas, munhequeiras e franjas longas sobre os olhos. O emocore é um subgênero derivado do punk rock/hardcore que surgiu nos anos 80 e ganhou força no começo dos anos 2000, com bandas como My Chemical Romance e Fall Out Boy quebrando barreiras e indo parar nas paradas das rádios.
Mais do que um gênero musical, o emocore se tornou um estilo de vida, com termos próprios, estilos de roupas, maquiagem e cabelos característicos. Fugindo um pouco da sua origem no punk, as bandas emo cantam sobre sentimentos: corações partidos, busca por pertencimento, amizades e traições.

O festival começou com dois sideshows em São Paulo: no dia 26, com The Veronicas no Cine Joia; e no dia 29, com Yellowcard, Story Of The Year e Neck Deep no Tokio Marine Hall. E foi com esse público apaixonado que a I Wanna Be Tour 2025 encheu a Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, no dia 23 de agosto, e o Allianz Parque, no dia 30.

O dia começou cedo com Fake Number no palco “It’s a Lifestyle” e Glória no palco “Not A Phase”. Os shows se alternaram entre um palco e outro, mantendo o público animado sem longas pausas entre uma banda e outra. Em seguida, os galeses do Neck Deep levantaram o público e criaram um mosh pit exclusivamente para as mulheres na pista única se divertirem em “She’s A God”. No outro palco, o Story Of The Year trouxe músicas que destravam memórias de madrugadas assistindo edits dos seus shows favoritos no YouTube.

O festival contou com ativações divertidas, como a equipe da Vans, um dos patrocinadores, usando bazucas para atirar camisetas do palco, e uma estação onde era possível ganhar prêmios em uma máquina de gacha e personalizar uma ecobag.
Um estúdio de tatuagem levou um catálogo personalizado de flashes, e o fã podia sair da I Wanna Be Tour já com a banda favorita marcada na pele para sempre.

O show seguiu com o punk do Dead Fish, em uma das apresentações mais enérgicas do festival, e o The Maine trouxe toda a simpatia de John O'Callaghan, que desceu do palco para interagir com a plateia cheia de fãs fiéis. The Veronicas encantaram o público com suas dancinhas, irreverência e carisma. O Forfun e sua mistura de rock e reggae colocou os fãs para dançar e fazer mosh pit no mesmo setlist, a pluralidade presente no som da banda.

A Fresno fez o público cantar a plenos pulmões hits que carregam todo o significado de nostalgia, trazendo para a I Wanna Be Tour a carga de uma geração que cresceu, se descobriu e não esqueceu.

E a primeira das três bandas internacionais principais entrou no palco “Not A Phase”. O Yellowcard é a banda do instrumento improvável em meio a guitarras e baterias: um violino que dá identidade às suas músicas. Logo depois, no palco “It’s a Lifestyle”, começou o que era provavelmente o show mais esperado da noite. Depois de vinte anos, o Good Charlotte retornou ao Brasil, dessa vez com o álbum recém-lançado Motel Du Cap. O setlist contou com as famosas “The Anthem”, “The Young and The Hopeless”, “Predictable” e novos singles como “Stepper” e “I Don’t Work Here Anymore”. O Good Charlotte encerrou a noite com “Lifestyles of the Rich and the Famous” e uma promessa de retornar à América do Sul o quanto antes.

No outro palco, o Fall Out Boy, quarteto de Chicago, separou um ato para cada álbum. A cada troca, o palco se transformava com a capa ou o motivo que caracterizava uma era diferente da banda, com direito ao urso e ao menino da capa do Folie à Deux infláveis, morcegos voando na tela para lembrar o clássico clipe de “A Little Less Sixteen Candles, a Little More Touch Me” e o baixo de Pete Wentz soltando fogo no refrão de “My Songs Know What You Did in the Dark”. Eles encerraram o festival com “Saturday”, deixando o público já preparado para o que pode vir no próximo I Wanna Be Tour.

Confira aqui um pouco de tudo que aconteceu no segundo dia do festival no Allianz Parque, em São Paulo:

Você pode gostar disso