Teatro

Teatro AXIA Casa Grande completa 60 anos de história

25.08.2026 por Equipe Headliner

O Teatro AXIA Casa Grande completa 60 anos nesta terça-feira, 25 de agosto, tendo se tornado um marco da história não apenas cultural, mas também política do Brasil.

Localizado no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, o Casa Grande surgiu inicialmente como um café em um antigo galpão na Rua Afrânio de Melo Franco montado pelos sócios Max Haus e Moysés Ajhaenblat, e foi transformado exclusivamente em teatro dois anos mais tarde.

O primeiro grande espetáculo veio em 1970 após Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha, sugerir que Bibi Ferreira e Paulo Pontes fizessem a estreia de ‘Brasileiro: Profissão Esperança’, com Maria Bethânia e Ítalo Rossi, no palco do Casa Grande.

Durante o período da ditadura, o regime militar tentou fechar o teatro, que foi salvo graças a um movimento que uniu artistas e intelectuais. Por ser um local onde as pessoas podiam se encontrar, o Casa Grande se tornou um ponto importante para debates e foi lá que aconteceram o primeiro ato pela anistia no Rio e a primeira reunião do movimento Diretas Já.

O Casa Grande também foi palco da assinatura do fim da censura no país, sendo cunhado por Tancredo Neves como um “território livre da democracia no Brasil”, frase que você encontra estampada no salão principal do teatro.  

Marco Nanini e Ney Latorraca em cena da peça O Mistério de Irma Vap, a foto está em preto e branco
O Mistério de Irma Vap estreou em 1986 e ficou 11 anos em cartaz no Casa Grande (Foto: Divulgação)

Em 1986, o teatro recebeu a estreia de O Mistério de Irma Vap, com Ney Latorraca e Marco Nanini. A peça ficou 11 anos em cartaz, entrando para o The Guinness Book of Records como o espetáculo teatral que se manteve mais tempo em cartaz, com o mesmo elenco, no planeta em todos os tempos.

Uma década mais tarde, em 1997, o Casa Grande passou por outro episódio difícil de sua história após um incêndio destruir praticamente toda a sua estrutura. Apesar disso, o teatro buscou formas alternativas de seguir funcionando e as apresentações de O Burguês Ridículo, que estava em cartaz com Marco Nanini, seguiram mesmo em meio aos escombros.

O teatro continuou funcionando por mais de 10 anos depois do incêndio, até uma reforma feita em 2008 que modernizou o espaço, que hoje conta com 926 lugares e uma infraestrutura completa para receber grandes produções e eventos que antes não tinham onde ser montados no Rio de Janeiro.

A reinauguração aconteceu com uma montagem do musical A Noviça Rebelde e, nos anos seguintes, o Casa Grande foi palco para espetáculos como Hamlet (2009), Hairspray (2009), A Gaiola das Loucas (2010), Um Violinista no Telhado (2011), Minha Mãe é Uma Peça (2013) e muito mais.

O reconhecimento de toda essa trajetória se deu com o tombamento como Área de Proteção do Ambiente Cultural, pela Câmara Municipal, em 2012, e como Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio de Janeiro, pela Assembleia Legislativa, em 2016. Recentemente, em 2022, recebeu mais uma honraria e foi condecorado com a placa de Patrimônio Cultural Carioca, premiando o início de uma nova fase para o Casa Grande.

Em 2023, o teatro fechou uma parceria para ter a Eventim como sua plataforma oficial e exclusiva para venda de ingressos, com realização de eventos e temporadas de espetáculos de grande porte como Alguma Coisa Podre (2024), A Casa dos Budas Ditosos (2024), Tom Jobim - O Musical (2024), Rita Lee - Uma Autobiografia Musical (2025), Tim Maia, Vale Tudo - O Musical (2026) e muito mais.

Atualmente, o Casa Grande é palco para o espetáculo Dois de Nós, estrelado por Antonio Fagundes, Christiane Torloni, Thiago Fragoso e Alexandra Martins e que fica em cartaz até 11 de outubro. Para o fim do ano, já estão marcadas sessões do espetáculo O Mercador de Veneza, com Dan Stulbach, com estreia marcada para 11 de novembro. 

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