Teatro

Headliner Entrevista: Fabio Rabin celebra estreia de novo show em São Paulo

20.02.2026 por Giulia Bressani

Fábio Rabin está de volta ao palco do Teatro das Artes, em São Paulo, com seu novo show de comédia, abordando viagens, terapia e o choque de realidade ao perceber que sua filha agora é uma pré-adolescente.

O comediante estará no palco do teatro com sessões aos sábados em fevereiro e às quintas em março e abril, e bateu um papo com o Headliner sobre o novo projeto, suas inspirações e até algumas dicas para quem gostaria de seguir o caminho da comédia.

Confira!

 

Como você resumiria esse novo show?

Eu consigo resumir esse novo show como uma tentativa de me explicar. Como disse uma menina na plateia, uma tentativa de me conhecer. Ele fala sobre terapia, sobre as minhas questões e também questões da plateia. É sobre um pai que está vendo uma filha crescer, um pai coruja cuja filha está entrando na pré-adolescência e ele começa a ficar bastante preocupado. No fundo isso começa quando o filho nasce, né? Ainda mais quando a gente se apega tanto, ele vira a razão da vida. E você cria pro mundo, então, quando você começa a ver que eles estão tomando essa direção, dá um desespero. Então o show fala um pouco sobre isso, obviamente com comédia. Também fala sobre algumas viagens que eu fiz, sobre o que é ser um bom pai ou um mau pai. Às vezes a gente está mimando, está achando que está certo, mas está levando pro caminho errado. Então é um pouco de tudo isso e é um show novo que eu estou adorando fazer. 

 

E você diria que tem alguma diferença essencial entre esse show e os seus projetos anteriores? 

Acho que a interação é muito diferente. O improviso que eu faço com a plateia sai muito do comum. Porque a maioria dos improvisos você pergunta qual a profissão da pessoa, em qual cidade ela mora, se eles eram casados, há quanto tempo são casados. São perguntas que, hoje em dia, pra quem está fazendo comédia há tanto tempo, ficaram batidas. Então agora é uma interação mais profunda com a plateia, em que a pessoa vai falar sobre seus problemas psicológicos. É uma interação com a luz apagada, ninguém vê quem está falando, mas estou achando muito rica. É impressionante porque embora seja mais arriscado, sempre dá certo. E um outro diferencial é a fase da vida. Desde que a minha filha nasceu, eu sempre coloquei ela nos textos. Eu lembro de fazer um show aqui em que eu falava dela bebê, de quando ela nasceu, do preço que custava o quarto de criança, o sofá do bebê, as câmeras do bebê. E agora ela está com 12 anos e não vou dar spoiler do que que está acontecendo, mas tem piada nova aí. 

 

E teve algum caso específico da sua relação com a sua filha que te inspirou a colocar esse assunto no show? 

Olha, acho que principalmente eu notando no dia a dia ela crescer. Tem uma parte em que eu falo de tecnologia e um dia ela ela virou e falou: "Pai, tenho uma matéria para estudar, geografia, e não sei nada Tem que fazer um trabalho”. Eu faltei “eu não sem a matéria”. Ela subiu, em 3 minutos, ela desceu. Falei: "Ei, filha, eu trabalho". Ela falou: "Já acabei". Eu falei: "Você usou o chat, né? Chat GPT". Ela falou: "Não, não, imagina". Eu falei: "Filha, mostra". Ela perguntou pro chat GPT, falou: "Ó, faça um trabalho sobre tal, tal, tal, como uma criança de 12 anos que tem um pouco de dúvida e não tá muito segura sobre alguns erros". Falou isso: "O chat fez o trabalho Aí eu falei: "Ó, vou te zoar". Então, é, coisinhas assim e coisas grandes, né, que acontecem. Tudo isso me inspirou a fazer esse show. 

 

Como está sendo a recepção desse comecinho desse novo show? 

Está sendo muito maravilhosa, de verdade. Eu sempre entro muito inseguro pro teatro. Hoje eu fiquei nervoso aqui com a estreia no Teatro das Artes porque tenho uma relação muito f*da com esse teatro. Inclusive a minha casa que eu comprei, que eu falo no show, ela foi comprada graças a esse teatro, graças aos anos que eu fiquei em cartaz aqui. Acho que foram 15 anos em cartaz aqui sem sair. Os shows têm um processo bem experimental. Então a gente começa no bar, testa as piadas, eu fiz bastante em Comedy Club. Aí sempre tem aquela alternância. Ele começa bem, aí você faz um outro, o público acha mais ou menos, aí você acha umas coisas, vai ganhando e quando chega no teatro ele vai bem. Então esse show, graças a Deus, até hoje não teve um ruim eu espero continuar assim.  É um show que eu tenho muito prazer de fazer, isso que é bacana. Eu imagino que a maioria das pessoas no stand-up, embora o show fique bom, depois de um tempo, não é que nem a peça, a gente fica meio ‘pô, cansei de fazer essas piadas’ e agora está tudo fresco para mim, então eu tenho vontade de falar cada coisa que estou falando e acho que é visível. 

 

E quem você diria que é o público-alvo desse show?

Pais e mães de adolescente, o meu público adolescente também, porque vai entender como é que um pai se sente com o seu crescimento. O meu público-alvo também é um público mais velho porque eu brinco um pouco sobre a relação dos meus pais, que são mais velhos, com essas tecnologias novas. É um dos shows que abrangem mais público porque fala de viagem, então isso não é só para o casado, não é só para o solteiro. Você que tem problemas psicológicos também é muito bem-vindo nesse show, porque a gente faz essa terapia em grupo. Pela primeira vez eu não consigo muito focar num público, eu acho que é todo mundo.

 

Você está fazendo isso há 20 anos. Tem algum conselho para quem tá começando no stand-up especificamente?

 

Tenho! Não faça. Sai, vai fazer outra coisa. Muda para a Austrália e vira salva-vidas. Você vai ser mais feliz. É isso. Brincadeira! Um conselho para quem está começando, eu acho que é paciência. É você se conhecer bastante porque a coisa das artes, não só no stand-up, é uma questão meio complicada, né? Porque acho que a pessoa tem que ter bom senso. Bom senso para você analisar se você realmente consegue fazer isso. Obviamente no começo você não vai ser o melhor, você vai fazer muito mal. Você vai fazer umas cagadas e tal, mas você tem que ter bom senso para saber se você só tá fazendo cagada ou não. Então, se você não estiver só fazendo cagada, fizer a pessoa rir, sentir que você tem essa veia, insista, seja persistente, não desista e tenha paciência. Não sai postando qualquer vídeo, tenha paciência para ir nos comedy clubs, para ir testando seu material, para cavar um lugar que tenha uma plateia boa, uma risada boa.

Invista, se você puder, em equipamento de som e câmera bom, porque às vezes eu vejo vídeo da galera que está começando que é filmado com o celular do amigo, não tem um microfone e não dá para ouvir a tua voz. Se ouve que tem uma risada, mas não dá para ouvir a piada. Isso depois é importante você ter esse material para você mostrar para outros comediantes, pessoas que trabalham em comedy club, para você ir tendo espaço, gravando seus vídeos e construindo a sua audiência. Então é isso, paciência e persistência. 

 

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