Teatro

Headliner Entrevista: Fabio Porchat se despede do ‘Histórias do Porchat’

18.03.2026 por Giulia Bressani

Após cinco anos na estrada, Fabio Porchat está se despedindo de seu show ‘Histórias do Porchat’. O humorista estreou a temporada final do espetáculo no Teatro J. Safra, em São Paulo, em 13 de março e segue em cartaz até o final de abril, fazendo as últimas de mais de 500 apresentações.

Antes de uma das sessões, Fabio bateu um papo exclusivo com o Headliner, contando um pouco sobre o projeto, que surgiu baseado em seu programa de TV, Que História É Essa Porchat?, de 2019.

“O programa, no fim das contas, são outras pessoas contando histórias e eu ali ouvindo. De vez em quando eu conto uma minha e vejo que o público gosta quando conto história. Eu pensei: "Bom, então vou pro teatro, só contar as minhas.” É um momento em que eu fico ali 1 hora e 20 contando todas as histórias que eu passei, como se fosse um programa só meu, não tem convidado nenhum. E como num show de stand-up, é só comediante no palco, o microfone, mas dessa vez com um enredo, que são as histórias de viagem”, disse.

Em paralelo às novas sessões do show, Porchat também está na expectativa para a oitava temporada do programa, que estreia em 24 de março. “Está cheia de gente que ainda não veio, que está chegando pela primeira vez. Isso é o que sempre me impressiona, como ainda falta gente para contar histórias. E mesmo quem volta volta com uma história nova e uma história melhor. Uma novidade desse ano é que vão ter muitas duplas contando histórias juntas. A gente já teve a Cleo Pires e o Rafael Infante indo juntos contar uma história que aconteceu com eles. Então vai ter muita coisa nesse tipo, de gente trazendo história para contar de galera”, contou.

Os dois projetos são sucesso de público em todo o Brasil, e Fábio aproveitou para analisar os motivos: “Acho que as pessoas gostam de ouvir histórias porque elas se identificam.  Porque elas ou já passaram por aquilo e percebem que não são as únicas malucas, ou elas nunca passaram por aquilo e percebem que o maluco é você e elas falam: "Graças a Deus que não fui eu que caí nessa maluquice dessa história". Então, no fim das contas, o ser humano gosta de ouvir história porque ele quer saber o que tá acontecendo.”

Durante o papo, Fabio ainda escolheu seu favorito entre o palco e a TV: “Eu gosto muito de fazer o show no teatro porque é ao vivo. Teatro tem uma coisa quente, uma coisa única, uma troca de energia. Claro que no programa também tem plateia e a plateia ali ri genuinamente, mas o teatro tem uma liberdade que nenhum outro meio tem. Estar no teatro é onde eu me sinto mais em casa.”

Com a familiaridade - tanto com o palco quanto com o show - o comediante contou não ter mais aquele nervosismo antes de uma apresentação. “Já foram quase 500 apresentações, 500.000 pessoas assistiram, então eu já vi que o show é engraçado. O medo do comediante é ninguém rir. Como eu já estou fazendo há um tempo, já fiz em muitos lugares e as pessoas riem no mesmo lugar, do mesmo jeito, na mesma hora, então eu tenho uma tranquilidade que, se eu estiver ali concentrado e fizer o melhor de mim, vai dar bom. As pessoas vão dar risada.”

O Histórias do Porchat está chegando a suas últimas apresentações e, para encerrar o papo, Fabio falou sobre a decisão de fechar esse ciclo e os planos para o futuro:

“Eu sinto que o ‘Histórias do Porchat’ já cumpriu a função que eu tinha pensado para ele, que era a retomada da pandemia, de unir as pessoas, de trazer para o teatro gente que estava carente de estar junto ali vendo e rindo junto. E sinto que as histórias são o que funcionam e são meio universais, porque, no fim das contas, elas são atemporais.”

“Mas eu acho que batemos no teto. Acho que agora é a hora de deixar quem viu com um gostinho de quero mais e eu, como artista, sinto a necessidade de criar um novo produto, criar uma nova peça, ensaiar, ir atrás de um outro assunto. Eu quero falar de outras coisas. O quê? Ainda não sei, estou descobrindo.”

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